“Amar é injusto. Que comece o julgamento. Colocar o outro como refém dos desejos do parceiro é mata-lo aos poucos, dando uma dose mais forte a cada “eu te amo”. A algema que prende alguém são essas três palavras. Amar dá trabalho, e todo trabalho que não é realizado com prazer torna-se penoso, e desgastante. Em outra época, porém, “eu te amo” era sinônimo de aconchego, colo de mãe, cheiro de campo, e tudo aquilo que inspirasse segurança. Amar, agora, é apenas mais um acessório para sentir-se realizado. Quão tolos tornamo-nos. Esvaziamos o outro até que não haja nada de novo para ser explorado, conhecido, e admirado. Um produto usado, que mostra os defeitos após o uso excessivo, a partir de então é jogado fora, um anseio descartável. Sociedade que preza prazer a qualquer preço, e rapidez em resultados. Não se tornaria um jogo para obter sucesso, ou algum prêmio? Sociedade com preços altos, mas sem valor algum. Tornando-se escravos de uma utopia, amando a idealização do outro, mas não o outro em si como sujeito falho, que aprende errando, que sofre aprendendo. Um amor de mercado suprido pela facilidade de se encontrar o produto. Nas vitrines das ruas, em qualquer lugar, sempre há alguém pronto para ser comprado pelo sonho de um amor verdadeiro. Tolos! Somos nós tolos, suprindo a carência do eu preenchendo-o com outro alguém, correndo o risco de sairmos mais vazios do que entramos.”

C. (via o-cancioneiro)
Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus: eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.”

Isaías 41:10. (via vireiflor)

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